31.3.02

BATEU
a solidão.

30.3.02

ENSIMESMADA
Hoje me senti diva. Foi só a luz batendo no corpo. A mesma luz que deixa o pinheiro mais verde. Daquele verde-árvore pós-baseado no Canto da Lagoa em Floripa. Rede e toalha branca e gigante. Pensei nas vezes em que meu pescoço formava uma dobra estranha, com uma listra fina de suor. No queixo enterrado no peito e o monte de cobertas. Fragilidade. Diferente do sol batendo no corpo estendido, do vento fraco no cabelo ainda um pouco úmido, do reflexo brilhante na porta quadriculada. Passei a tarde de toalha na varanda comendo gelatina de amora. Até pular na água. Cigarro mentolado, camomila, água fria. A banheira parecia uma forma de gelo. E a sensação de alívio era tão grande que deu vontade de me eternizar ali. Li umas cinco páginas de ana c. cesar e deixei de lado (embora estivesse gostando) porque de fresco não tinha nada. Me apeguei a imagens. O mendigo se camuflando no lixo, a mulher de sapatos altos brancos e está sempre limpa e penteada sentada em cima da bolsa, pernas encolhidas junto ao corpo no canto da calçada. Outras imagens reveladas. Estados de espírito com filtros do tempo, unhas cor de tijolo e as trapezistas num céu estrelado de Quando a Noite Cai.

29.3.02

HOME
Ao contrário de um dos meus principais medos da semana passada, a melhor coisa que pôde acontecer foi ter ficado sozinha aqui na minha casa. Principalmente, nessas horas em que você pára tudo e só para ouvir os passarinhos nas janela, o cheiro de café da vizinha entrando pela varanda e um vento bom vindo da cozinha. E todo mundo que passou por aqui no esquema SOS e parou na porta do meu quarto e sentiu aconchego. Acho que tem a ver com essa história de curtir os espaços como se curte o couro.

ALGUÉM

Tem quem tem
Não tem quem tem
Não tem
De vez em quando tem

De vez em quando vem
De vez em quando tem
De vez em quando tem você (bis)

Se tem não sei se tem
E quem tem não vê
Nem pensa em saber

De vez em quando vem
De vez em quando tem
De vez em quando tem você

De vez em quando tem
De vez em quando vem
De vez em quando tem você

Se tem não sei se tem
E quem tem não vê
Nem pensa em saber

Quem tem não tem
E o que se tem?
Se não tem mais alguém

De vez em quando tem
De vez em quando vem
De vez em quando tem você

Tem quem tem
Não tem quem tem
Não tem, não tem,
Não tem, quem tem

BLOW UP

Eu gosto dessa história de ampliar, ampliar, ampliar e chegar a uma descoberta.

DIA DE SOL
Hoje teve mais fotos estado de espírito. Tive que me encarar. Alguns auto-retratos interessantes. Focos variáveis. Peguei o telefone e liguei. Please, leave message after tone. Às vezes, a gente pensa demais, coloca muitos obstáculos. Às vezes, de menos. Eu quis pensar de menos. Feriado é folga de si mesmo. De fantasmas e medos. Folga de São Paulo. Da rotina. Eu queria uma nova tarde feliz, uma nova tarde ensolarada e ponto. Queria dividir, sem medos, sem compromisso, sem pensar em conseqüências. "Eu não posso ter expectativas? Querer tudo do bom e do melhor?", perguntei ontem ao psicólogo. Ele disse "é claro que pode, desde que isso não te mate". Cansei de me sentir sufocada.

TRABALHO RAÇA
Chaves de fenda, fios (soltos, literalmente), alicate e muita paciência. Finalmente arrumei o meu telefone!

28.3.02

FIO SOLTO
Eu passo os dias aqui me perguntando como foi que tudo se perdeu. E mesmo com tudo assim meio perdido ainda me vejo nas outras palavras. Nas angústias, na necessidade de um colo perfeito, nas lembranças, nas mágoas, na falta de compreensão (mútua, tudo mútuo, assim como cobranças e exigências, embora no meu discurso isso tenha sido mais evidente). Uma das maiories agressões no fim do ano no Rio foi caminhar todos os dias ao lado da pedra morna na Urca. Fui salva pelo BIG pair de óculos escuros. Tem coisa que passa e que fica. Eu tenho a mesma sensação sobre as lembranças. A falta de comunicação não é uma questão física, de convenção ou de "término de contrato". Ela já se avizinhava. E até nesse fio solto vejo um diálogo perfeito. Talvez seja apenas o que quero ver. Penso em dividir medos e possíveis soluções. Mas, às vezes, é preciso ser mais racional do que isso. Porque os gritos de cansaço foram muito altos desta vez.

+ FOFURA
pelas mãos da Apa, que me deu o novo mangá de meninas da Conrad: FUSHIGUI YUGI
Fiquei pensando se não era hora de entrar dentro de um livro e pumba, ir parar na China.

ILHA DESCONHECIDA
Acho que vou reler 50 vezes. Cada hora, um significado, cada frase, cada porta, cada novo personagem. Gostei.

CONFORTO
Trabalhar meio período alguns dias, ser ber assistida no SOS e psicólogo amenizam muito o que eu tô sentindo. E o Josafá ainda mandou um teste que é uma fofura para mim.





Não poderia ser melhor! Você é a própria, você é Hello Kitty!
Você é amado(a) por todos. Você é aquela pessoa com quem sempre se pode contar.
Mas lembre-se que, mesmo tendo a altura de somente três maçãs, você pode se impor!


Qual personagem Sanrio você é??

27.3.02

CONVERSAS
Parecem intermináveis. Vejo que muita gente já passou/está passando por coisas parecidas.
A Nana chegou com um livro para mim - O Conto da Ilha Desconhecida, do Saramago.


TKS
a todos que atenderam chamadas SOS

26.3.02

27 DE ABRIL
5h30
Ibirapuera
São Paulo

DIÁLOGO
- E você se abre, assim?
- Claro. (angústia é fala entupida, pensei, imagine se não escrevesse tanto)

DISFORIA
será?

CAPA
Às vezes, dá medo de falar. Mas falando, e ouvindo, você percebe que não está sozinho. Que outras pessoas já tiveram essa sensação de que o corpo parece ser muito pequeno, que não dá conta de tudo o que se passa lá dentro. Que nem sempre dá para entender o que se passa lá dentro.

E quando você se vê sozinha, o dia está assim, muito bonito, e a luz batendo no azulejo traz lembranças boas, sem farpas, parece que tudo para. O que eu vou fazer agora? Torrada, polenguinho, água sem gás, iogurte, café e cigarro.

TPM
Se aproxima. Hoje eu tive um pesadelo. Dois ou três. Já não me lembro muito bem. Porque corpos, rostos, pêlos, peles se misturam no inconsciente. Eu não queria dormir só. Ontem eu fiquei muito triste. Pensei que tinha todos os colos do mundo, menos o que realmente fazia falta. Minha mãe disse que eu não posso ter tudo de uma vez. Que eu tenho que aprender a viver uma coisa de cada vez. Pois é, me deram tudo. Me fizeram acreditar nisso, sob medida mesmo. E tiraram aos poucos, como se tira farpas de madeira da pele. Por isso dói. Quando você se dá conta, não tem mais nada. Nem farpas, nem madeira, nem tudo o que tinha. Você já não é mais um porco espinho. E quando você vê, de novo, todas as farpas são recolocadas. E dói. Foi assim. Parte da dor foi arrancada, acho que por isso me sinto anestesiada. Mas não é porque estou sem todas as farpas é que vai deixar de doer. A lembrança da dor, muitas vezes, é muito mais intensa. E as farpas continuam se soltando. Defesa. A defesa pode machucar. E isso acaba sendo uma questão de sobrevivência. Por quê tinha que ser assim?

25.3.02

SOCOS
Palavras, às vezes, são como socos. Sinto até o corpo quente e formigando. Dor. Uma dor que perde-se nela mesma e anestesia. Deixa o calor. O mal-estar. Senti isso, pela última vez, no Rio de Janeiro e passei uma madrugada chorando no telefone. Agora, serão cinco minutos no banheiro.

CRÍTICO
Tem um horário no dia (ou mais de um) em que tudo fica muito difícil. "Você já reparou quantas vezes você usou a palavra medo?"

24.3.02

CAPANGA
"Como você me reconheceu?"
"Pô, Coutinho, você sempre aparece com uma capanga nos seus filmes!"

Aliás, cadê a dita cuja?

SANTO FORTE
Eduardo Coutinho veio acalmar (?) a minha noite. Já vi esse filme duas vezes no cinema. É nessas horas que dá vontade de largar tudo, viver de favor na casa de amigos e aprender com ele como se faz jornalismo/documentário/entrevista/troca. A melhor entrevista da minha vida, no Hipódromo, Rio. Setembro/1998. Fumei uns tantos Marlboros (dos vermelhos) e ele um dobro de outros tantos, com suco de laranja. Entrevistei Eduardo Coutinho tomando sorvete de creme. A Celina com a câmera no ombro por mais de uma hora. Com direito a filé Oswaldo Aranha (e Rafael) depois. O mais louco é que Santo Forte é o primeiro filme que ele produziu, que mandou uma equipe a campo encontrar personagens, que ele foi entrevistar já sabendo da história de cada um. E, mesmo assim, consegue ter o "acaso". Eu e a Ce costumávamos imaginar que Acaso era um negão superprodutor, que o Coutinho chamava para dar um toque mágico no filme. "Ô, Acaso, por favor, faça tocar aquela música no fundo agora, para coincidir com o clima que eu quero passar nesta cena!" Será que foi o Acaso que fez tocar no rádio no final do filme aquela música Save me Now?

LONGO PARÁGRAFO
Acendo uma vela sei lá para quem. Abro a janela. Chove o dia todo. "De onde sai tanto choro?", perguntei ao psicólogo. "É dor", ele responde. Penso de onde sai tanta chuva. Lembro do dia em que saí para fazer produção e peguei emprestado aquele CD lindo. CD para dia de chuva. Acendo mais um cigarro. Escrevo para não morrer. Sabe quando se tem a nítida sensação de que tudo vai aos poucos, ou de uma só vez. Você sente os segundos passando e os segundos em que você morreu mais um pouco. Pois é. Escrevo para me sentir viva ou para não pensar que estou morrendo a cada segundo. Que foi um segundo vivo, aproveitado. Puta clichê do caralho. Mas fazer o quê? Me deu vontade de escrever um livro, uma série de lamentos, desses, assim, que tentam entender o porquê de todas as coisas. Às vezes, é tudo mais simples do que a gente imagina. "No aquário das minhas memórias..." Era apenas um carneiro, viu Dani, nada além disso. É, outono, outono, outono. Eu penso se vou mesmo virar zen-budista. Se assim as coisas se resolvem de uma vez por todas. O equilíbrio, a paciência (nada a ver com o tlec-tlec dos teclados) me atrem muito. E a sensei falando sobre os astronautas vendo a Terra tão harmônica que dava medo de respirar, achando que poderiam atrapalhar aquele equilíbrio sentido assim, tão de longe. Eu entendi, entendi muito bem. Ficava tentando imaginar que apenas alguns centímetros me distanciavam dela e eu tinha medo de respirar também, de respirar essa respiração ofegante.

MAMBO
mambo crazy, de phazz
merda, por que tinha que tocar essa música logo agora?
me faz lembrar de uma manhã, antes do trabalho, na alameda jaú
"coloca aquela música bonitinha para eu começar o dia feliz"

Depois da chuva, café.

DOMINGO
Chuva, matéria cancelada e fotos do meu estado de espírito.

22.3.02

JUGAMENTO
E essa história do Eugenio Chipkevitch... Será que um dia eu vou ser acusada de abuso sexual por peguntar para as adolescentes se elas gozaram ou não? Ou como foi a primeira vez delas? Eu só sei que ele faz o trabalho dele, assim como eu faço o meu. E, se a essa altura do campeonato, ele não tiver feito nada disso, já foderam com a vida dele. A imprensa tem que ter mais cuidado. Nada de conclusões precipitadas, mesmo que tudo leve a crer. Eu sempre penso no caso Escola Base. E o Blat, por que tá no meio dessa paranóia?


FOGO
Quando as coisas chegam nesse pé, você começa a ver com quem realmente pode contar.

A coisa é mais ou menos assim: você passa por uma situação que acontece todos os dias e - apesar disso - não sabe como reagir. Quando chega o conforto, o coração dispara. Estou salva, estou salva, estou salva. Fiquei com medo (mais). Não queria sair de casa hoje. Preciso comer, preciso ir na redação, preciso ir no psicólogo e estou aqui pensando em como fazer isso. Preciso também de um abraço. Ainda vou descobrir o que é isso.

NÓIA
Comecei a ver bolinhas e a não suportar nenhum barulho. Minha cabeça explode.

21.3.02

Odeio quando isso acontece.
Onde foram parar os arquivos?

caíram todas as fichas
ERRATA: muitas

(DES)APEGO
essa veio do Thom, por icq

"aquele que nao se apega
nem ao prazer nem a dor,
que nao rejeita ou deseja,
renunciando igualmente
ao que agrada ou aborrece,
eh muito querido a Mim"
(diz Krishna a um guerreiro)

com direito a interpretação:
"e na verdade, ao contrario do que muita gente pensa, ele nao esta dizendo para ser apatico, mas tentando fazer o cara entender que tanto as coisas boas como as ruins sao passageiras, e soh o que permanece eh a sua essencia"
(thompson a erika)

DEDINHO
O mais louco é ver que tá tudo lá, onde sempre esteve. É uma coisa meio casa de mãe, que você vai e volta quando quiser. O prato de sopa, as férias, os conselhos, a objetividade, a senha da porta do psicólogo, os telefones/telefonemas, as folgas acumuladas. Todos os colos disponíveis. E nada de passada de mão na cabeça. O mais louco ainda é ver que tudo funcionou muito bem. Eu tava aqui pensando nas fases, no ano passado e lembrei das conversas no fumódromo com a Fla. Ela apareceu na redação bem quando eu estava pensando nisso e também estava segurando todos os pratos até a semana passada.
- Que bom que não sou só eu.
- Que bom que você têm consciência do que está acontecendo.
O quanto eu ouvi esta frase hoje.

A impressão que tive era que viraria uma estátua de sal se tivesse olhado para trás.

Torradas, café (bem doce) e um os últimos cigarros que me restam.

Eu só quero sossego.

LIGHT
Às vezes, eu vejo pessoas bonitas, muito bonitas, propaganda de Colgate, Coca-cola, cocaína. Elas realmente acreditam nas sete fórmulas da felicidade vendidas nas revistas femininas. Isso deve tornar tudo muito mais fácil.

DESGASTE
Sapatos jogados e meias furadas, cuecas velhas. Perna mal depilada. Oleosidade de suor. Cabelo mal penteado. Maquiagem borrada. Cuidava-se dessa maneira descuidada. Ou nem cuidava-se mais. Largava-se. O sofá engolia, as paredes (brancas, sempre muito brancas, a sala branca) espremiam. Pouca varanda, pouco sol, poucas mãos dadas. Recuo, cansaço. Unha encravada, dente sujo. Box de comida chinesa, restos de chocolates, bitucas de cigarros acumulados de dias. Controle, descontrole. Surto. Medo, muito medo. Fim.

ESQUINA
Abraço que dá volta, olhar, mãos, cabelo. A esquina é emblemática. Para frente. Para a esquerda. E o tempo. Tempo ruim e tempo bom. Pela janela, vejo tudo muito embaçado. E não são apenas os meus olhos.

REPETIÇÕES
Uma boa. As férias da Ana coincidem com as minhas crises (as brabas).

FREEZE
Quando eu era adolescente, eu gostava muito de uma música chamada Time Stand Still. Brega ou não, mas ontem (e hoje pela manhã) eu entendi o "freeze this moment a little bit longer".

MEDO

CHOCOLATE
ao chão

20.3.02

INTENSO
Gostei desse post-citação.

FIGA
AGAIN
ALGO
SUGA

acho que já postei isso em algum momento em algum blog

sou

sou

FOFO?

Estou me sentindo assim

não agüento mais esse click clack do teclado, do telefone, do mouse

STRESS
você percebe ele quando a idéia de ir para Laos passar as férias vêm à cabeça umas 3 vezes por dia
quero fugir, quero mato, quero sossego, quero amor, quero tudo
mas em doses muito homeopáticas porque são paulo já é suficiente para dar tranco nos pinos

19.3.02

Dá na mesma achar que tudo dá na mesma?

Dá na mesma quando todo mundo olha para você, menos quem interessa?

Dá na mesma estar enrolada em um saco de estopa ou ter se arrumado?

Não costumo dar a mínima bola para esse tipo de coisas que chega por e-mail. Mas hoje...

QUEM MORRE?
(Pablo Neruda)

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

18.3.02

FOLGA
Passei a tarde na Vila depois de um almoço supernatureba. A Aspicuelta é a que tem lojinhas mais interessantes. As que mais me agradam são aquelas estilo Favela Hype, no em Santa Teresa, que tem de tudo um pouco - acessórios, bolsas, objetos de decoração e brechó. Ou a Dasloca, que fica em cima de um salão (estilo as lojas fofas no Bairro Alto), e também tem de tudo um pouco de muito bom gosto. Hoje, descobri a Agá, a Fradique, repleta de bugigangas fofas - estilo Piu, em Marais. Tudo pequeno, barato e colorido (bolsas, livros, camisetas, cacarecos mil tipo metralhadora de água e pasta plástica para fazer balão de canudinho - eu era tarada por isso aos seis anos), além de Coca-cola e internet (que também tem no Favela Hype). E o salão Lux, com embalagens coloridas de Fofo na vitrine e letreiro em neon. Vi um japa de touca térmica e estou rezando para ele ser o cabeleireiro. Corte: R$ 35 e manicure R$ 10.

AGÁ - Rua Fradique Coutinho, 1111, Vila Madalena, São Paulo, tel. 11 3812 1910.
LUX - Rua Aspicuelta, 193, Vila Madalena, São Paulo, tel. 11 3031 5511.
FAVELA HYPE - Rua Almirante Alexandrino, 1458, Santa Teresa, Rio de Janeiro, tel. 21 3852 8504.
DASLÔCA - Rua Nazaré Paulista, 327, Pinheiros, tel. 11 3875 5002.
PIU - 77 rue de la Verrerie, Marais, Paris, tel. 01 48 87 62 17.
FACTO - Rua da Rosa, 40-42, Bairro Alto, Lisboa, tel. 21 347 88 21.

INSIDE
OUTSIDE
"Você nunca olhou para uma pessoa na rua e ficou imaginando como é a vida dela?"
Eu sei que fiquei calada a noite inteira. Meio umbigo. Meio líquido amniótico. Engraçado que a banheira virou útero. Mas o que estava pensando era na velhinha, na porta da casa, olhando o pouco - quase inexistente - movimento na rua. Fiquei pensando se todas as pessoas que passavam por lá batiam seus casacos e bolsas na água da chuva que ficou nas plantas. Tentei perceber se estava com realmente fome. E que devia comer, estava meio fraca, sentindo os efeitos do maço de cigarro mentolado que se foi praticamente inteiro nas 24 horas anteriores. Caminhei com o peso da bolsa nas mãos e das coisas nas costas. E desejei muito que, naturalmente, e, aos poucos, tudo volte a ser como era antes.

17.3.02

LISTA
da madrugada

choro
Kool
Yuzo Kayama
dawn
marginal
fime mexicano

LISTA
da noite
(hoje)

banheira
sulflair
polaroids
marlboro light's

15.3.02

Blá blá blá blá blá...

Não adianta deixar a conversa de lado e fingir que está tudo bem.

acho melhor não dizer nada hoje

14.3.02

BONASSI
Eu vi o homem no programa da Marília Gabriela. Quando ele se empolga, ele fala como escreve. Engraçado reconhecer a escrita na fala. Coisa boa de ouvir. Tive que ligar para a Ana. Hoje, ele está no no.

LADO B
Levei o meu mundo para o banheiro e fiquei com a cabeça no sapo. O Daigorô ficou de fora porque é de plástico. Eu gostei dessa história de ter um horário na agenda para mim. Não estou falando de terapia, psicólogo ou de entrevista com o vampiro. Mas de ficar no telefone com uma amiga, fumar cigarro e tomar Coca-cola, ler qualquer bobagem sem a pretensão de ser inteligente ou cool, ouvir qualquer música que te faça feliz. Só faltou uma coisa ontem: a polaroid.

PS: depois da banheira, fui para cama com o Bonassi

13.3.02

EU QUERO
Água quente e tampa na banheira.

DIA DO NÃO
Pernilongo, briga, choro, atraso, trânsito, viagem, fome, sono, choro, inflexibilidade de horário, imprevistos, manca, chuva.
E DO SIM
Ajuda dos amigos, divã no carro, visita no fumódromo, prazo estendido.

12.3.02

SOCORRO2
Você deixa de sair de casa, adia o programa ou marca o programa para mais tarde para ver Big Brohter ou Casa dos Artistas ou O Clone? Eu assumo que já fiz isso.

SOCORRO!
Essa tem sido a frase mais usada na semana - que começou ontem. O Gilson Martins tem um site. Bem para gringo porque só vende a coleção Brasil (a pior de todas). Acho que ele é um pouco repetitivo. Odeio quando entro na loja dele e vejo a mesma coisa de todo o sempre. O mesmo material - que é ótimo, aliás, para pegar chuva. Apesar de todas essas queixas, eu amo o Gilson.

11.3.02

estilo ou sem estilo?

CACOETE
Entrei na fase das repetições.

POESIA
Escrevi para a Ju e para o Arlei. Deu uma vontade louca. Achei os e-mails (posso chamar de cartas?) lindos. Meio poéticos. Nostálgicos. Inspiração. A Ana me emprestou um livro da Ana. É assim mesmo quando eu fico obcecada por algum tipo de leitura.

FALSIDADE
Odeio falso social, falso profissionalismo, falso sorriso (e riso) etc. porque não gosto de coisas ruins. Nada de especial aconteceu. Foi apenas um pensamento perdido no meio de tanta gosma, perfume e chocolate.

BANQUINHOS DE MADEIRA
Essa é uma das histórias mais interessantes que eu ouvi na minha vida. A de um fotógrafo muito bom que se encontrou fazendo banquinhos de madeira. Continuou sendo fotógrafo, fazendo banquinhos e outras cositas. Por sinal muito feliz.

Eu ainda acho que Santa Maria dominará o mundo. São Paulo, Barcelona. Que coisa esquisita!

OUTSIDE
Encontro inesperado e engraçadíssimo. O tempo passa e as pessoas não mudam. Todo mundo a fim de fazer as malas. Enquanto isso, tudo na mesma.

INSIDE
Cama, desânimo, mentolados fumados pela metade. O que faço da minha vida agora?

8.3.02

VISITA
A Luísa estava aqui na redação e inspirou alguma fofura.

QUERO VER
. vertigo*
. quando a noite cai
. assédio

* em Portugal, A Mulher que Morreu Duas Vezes.
Me lembra aquele comercial do menino gordinho e pentelho cantando "A mocinha morre no final/ Quem matou foi o marido...".
Eu não me importo muito com isso e adorei o blog mais estraga-prazer do mundo.

AGENDA 2

08/03-10/03
Workshop de criatividade na pousada zen Ponto de Luz, Jarinu, SP.
não esquecer de levar chocolate, Ana C. Cesar, CDs e biquínis

SEM ESTILO
Saiu uma matéria na Veja da semana passada falando dos escritores "sem estilo". Tony Belotto, Patrícia Mello, Fernanda Young, Fernando Bonassi. Bonassi? Eu adoro o ritmo, a crueza e a coloquialidade do Bonassi. Talvez não faça "literatura de gente grande" - e quem sou eu para julgar isso. Mas é genial nos recortes do cotidiano. Eles têm cheiro, sons e movimentos de câmera em oito linhas, onze frases. E quem a Veja pensa que é para julgar isso?

CLÁUDIA
Café: 12h30. Amigas conversam sobre os diversos papéis que exercem, a centralização de funções e a cobrança interna que cresce a cada dia. Não vou começar a ler a Cláudia nem fodendo.

COMPULSÃO
Reduzir cigarro, reduzir chocolate, reduzir a barriga que começa a aparecer (está longe de ser um bucho, mas esteticamente não está 100%), reduzir Coca-cola, melhorar a minha alimentação. Estou começando a ficar viciada em manter o controle (em vários aspectos). Às vezes, eu páro e penso que sou magra e tal e foda-se. Às vezes, eu penso nas artérias entupidas, na taxa de colesterol lá na puta que o pariu, no olfato indo embora e que eu não tenho mais 15 anos. A idéia de ter uma vida saudável me agrada.

6.3.02

EU E O PEDRO
Fui convidada para desfilar usando a minha camiseta odeio ex-namoradas. Detalhe: entro depois de Pedro de Lara se ele usar uma camiseta com uma frase dele. Se ele usar uma frase minha - normal não é, mas acaba sendo - posso entrar de mãos dadas com ele. Segundo o Felipe, que está organizando o desfile com as suas camisetas, o Pedro de Lara é um fofo.

AGENDA
Excesso de trabalho ou ando muito desconcentrada?

5.3.02



CURVEX
Depois de uma longa conversa sobre o assunto - não muito longa, na verdade, deve ter durado uns 10 minutos (o que já é suficientemente longa para falar sobre curvex) - decidi experimentar. Não sei por que nunca o tinha feito antes. Provavelmente aflição. A Nana deixou um curvex em cima da minha mesa ontem. "Não vivo sem, minha vida mudou." Tentei usar e consegui, apesar da minha falta de coordenação. Mas efeito zero. Japonês tem cílios muito curtos. A decepção veio quando me lembrei que minha irmã tem um e o carrega em sua necessaire.

KOOL
O melhor mentolado da face da terra não deveria ter mudado a sua embalagem. O que diria Ponyboy?

Tinha outras muitas outras coisas que eu pensei em escrever aqui. Mas o tempo passou e eu fui esquecendo.

SOL
Me lembrei de três dias nascendo
janeiro/2000 - Rio de Janeiro, com André, Carol, Dani etc.
dezembro/2000 - Paris, eu e as malas
junho/2001 - Belo Horizonte, com Miguel

PS: adoro próclise

4.3.02

CHATICE
Não agüento mais. Pelo menos, uma notícia boa nesse dia.

1.3.02

SAKURA
Depois de cruzar com várias menininhas na Cultura Inglesa com Cave Kids na sacola, mergulhei em fivelinhas e colares sem cigarro na mão. E dei de cara com uma Sakura sentada na minha mesa, presente fofo da Brenda.