HADASHI NO GEN
Não consegui me controlar e terminei de ler a história antes de começar a ler. Isso mesmo. E ainda comprei o volume 3, depois de ter lido o 4. Incrível como essas sagas de heróis fazem sucesso (a dos anti-heróis também). Engraçado, que o Gen me lembrou muito o meu pai fisicamente. Assim como o Yukio Mishima. Meu pai não é gay - pelo menos até onde eu sei - e nem muito herói. Será que eu queria que meu pai fosse gay e herói? Eu não posso ir ao psicólogo que eu começo a fazer essas associações nada a ver.
PLOC PLOC
a bolsa escancarada
31.1.02
30.1.02
DECISÕES
Vou deixar para tomar decisões importantes quando eu sair da TPM. As não importantes ficam para depois também.
IEMANJÁ
Finalmente vou trocar de roupa - prefiro não entrar em detalhes. Acho que ontem estava tão bem com Iemanjá no peito e, por acaso (é melhor dizer por acaso), repeti o figurino. Estou pensando até sair amanhã de Iemanjá de novo. Com fundo preto. Hoje de manhã me achei meio esquisita, com cabelo esquisito. Puxei o rabo demais. Mas depois do elogio da Araci - que puxaram todos os outros elogios à loirice (isso mesmo) - dei uma relaxada. Agora vou para casa, experimentar vestido.
29.1.02
DELÍRIO
mais. Acabei de descobrir uma linha FOFA de cosméticos, SUGAR. Delírio adolescente, lógico. Se eu tivesse tomado ecstasy, estaria insuportável.
LIVRO 4
Comecei a ler Gen Pés Descalços. Detalhe: o último volume. Preciso me controlar e começar a ler do começo antes de terminar de ler o fim. Complexo isso, muito complexo. Principalmente porque descobri que ando devorando Gen. Foi assim com Preto e Branco.
28.1.02
27.1.02
CÂMERA
Se eu fosse uma daquelas câmeras de supermercado, acho que ficaria entediada de ver tantas mulheres arrumando a calcinha enquanto escolhem o vinho, ajeitam as compras no carrinho e lêem as chamadas de capa de uma revista na fila do caixa. Os homens também fazem isso. Mas não com a mesma classe. Afinal, imagino que apenas uma minoria blergh usa cuecas cavadas.
25.1.02
TCHAU
Acabei de descobrir que fim de semana que vem eu vou para Porto Alegre. O ano passado se resumiu à antes e depois de Porto Alegre. Eu já tinha passado pelo aeroporto de Porto Alegre antes disso. Foi em 97. E minha vida naquele ano se resumiu a antes de entrar no aeroporto e depois de sair de lá. Tudo bem que foram apenas duas felizes coincidências. Mas me faz bem pensar assim. Será que esse ano começou tão capenga que Porto Alegre veio cedo demais?
TEMA 1: MAL HUMOR
Hoje é feriado, não estou trabalhando. Vou ter dois dias lotados pela frente. Fico cansada só de pensar. Qualquer pessoa normal na face da terra estaria subindo pelas paredes depois de duas tentativas frustradas de encontro. Ontem eu queria jantar. Tentei combinar, mas estava offline, tentei de novo, ninguém em casa. Odeio secretária eletrônica. Tu, tu, tuuuuu... Odeio a minha casa vazia. Dá lugar para todos os fantasmas. Olhar o cinzeiro cheio me deixa mais puta da vida ainda. E olha que eu já tinha esvaziado os dois outros cinzeiros. Fico com a impressão de que minha presença é incômoda. Não me sinto tão à vontade. Depois de alguns telefonemas e vários mal entendidos, eu enfrento todas as pessoas compromissadas e uma jaula que me prende. Eu não entendo o que eu faço aqui, querendo ocupar o meu tempo - que é precioso, que nem sem pre está vazio. Não entendo o que faço trancada aqui com toda a escuridão lá fora. Fugindo de pessoas que querem saber como está a minha vida. Casa vazia, silêncio. Só escuto os pneus dos carros jogando a água para tudo quanto é lado. Acho que parou de chover. Escuto as unhas no teclado. Aperta. Até a brasa do cigarro faz barulho. Fico pensando que queria ser como Ana, que "escreve livros na mente que só ela pode ler". Mas eu tenho que materializar esses pensamentos que me estrangulam.
24.1.02
PREVISÕES
de Bárbara Abramo
para hoje
Tudo é tão ruim e ninguém parece se sublevar na direção do equilíbrio e da harmonia. A sublevação possível se choca com as estruturas que prometem a segurança de Saturno, mas que se confrontam com a sede de poder de Plutão. Seus valores são pulverizados, mas você dá provas de coragem.
23.1.02
ARREPIO
Não sei se foi o título do livro ou as páginas amareladas. Ou a vontade de sublinhar com lapiseira alguns trechos. Não consegui me concentrar para continuar a leitura de A obscena senhora D. Não consegui parar de pensar na sensação do alumínio do Sulflair no dente, do garfo batendo, da lapiseira riscando as páginas amareladas.
22.1.02
PAINEL
Eu poderia passar uma noite dessas em um painel de carro. Eu adoro aquele fundo preto e escuro com algumas luzinhas. Tava pensando nisso no táxi. Fiquei me imaginando andando pelo velocímetro na velocidade perfeita. Um motorista be calmo e um carro perfumado. E eu lá, fumando um cigarrinho e pensando (?) na vida enquanto andava de um ponto luminoso para o outro. Com ar condicionado e uma música bem baixa vindo do som.
21.1.02
CALOR
É difícil de acreditar. Mas, além de ter poucos pêlos e quase nunca me depilar, eu suo pouco. Eu só sei que está quente quando começo a suar entre os seios. Não, isso não é coisa de propaganda de cerveja. E eu não sou uma loira gostosa.
PRÉ-PAGO
Agora a culpa é do celular (ai, governador). A culpa pode ser do cartão de crédito também. Da pomada no cabelo e da plataforma vermelha com bordados. Ou do jeito de dançar e passar a mão nos cabelos. Da música que ele toca. Tem gente que culpa a bebida. A carência. A maioria culpa a carona.
Vi os bombeiros correndo pela escada. Por que a bateria do meu celular sempre acaba nessas horas? Eu dei azar - estamos fechando na base de gerador. Tudo parece normal. Um pouco mais escuro.
ADIANTA?
Adianta, sim. Adianta. Adianta. Eu queria me esquecer para sempre. Mas não me deixa. Quando dou de cara com uma daquelas muitas coincidências que não são coerentes ao discurso, eu fico pensando se eu é que não quero acreditar ou se é a máquina que erra. Eu quero muito acreditar. Eu fico pensando que antes eu me divertia com outras loucas, que a vontade de "desvendar" era conjunta e divertida, que eu lia e ria. Até respondia. E agora é diferente. O que era dividido - e divertido - passa a ser escondido, tabu, assunto proibido.
ALÍVIO
Abraço. Cuidado. Banho. Dá um certo alívio. Mas ainda fico pensando em fatos - palpáveis - que formam um quebra-cabeça frankenstein de muitas coincidências.
CARTA DE FÃ
Querido Fernando Bonassi,
se um dia você der uma busca no google com seu nome e cair no meu blog, mande um e-mail para mim. Faça um blog e me dê o endereço. Prometo não divulgar. Li umas partes de O Amor em Chamas (adoro a capa), assisti Um Céu de Estrelas (só não li o livro porque o exemplar que comprei continha páginas em branco - muitas; e não devolvi porque achei que seria uma ótima história para contar: ter um livro com páginas em branco) e, vendo Os Matadores pela sexta vez, descobri que você escreveu o roteiro. Tenho Subúrbio e não passei do primeiro capítulo, não gostei de Crimes Conjugais (sem contar que a Marcela, para mim, tem toda a pinta de Magda Cotrofe), li 100 Histórias Colhidas na Rua de uma vez também (você é muito bom nisso). Comprei Passsaporte no Café com Letras em BH. Acho que você deveria parar de escrever para a coluna Macho. Da Rua é muito melhor. Outra coisa: você só perde para o Eduardo Coutinho. Por enquanto. Só vou saber disso no dia em que eu te conhecer. A única vez que gaguejei na vida foi falando com Coutinho na estréia de Santo Forte no Instituto Cultural Itaú.
Meu e-mail é kikks@hotmail.com.
Erika.
PS: se um dia desses cruzar com o Eduardo Coutinho, mande meu currículo para ele. Quero fazer documentários um dia.
20.1.02
7 REAIS
Comprei 100 Coisas, do Bonassi. E li de uma vez só. 100 fragmentos do cotidiano. Como se fumasse um cigarro atrás do outro. Estoura-peito. Eu adoro o ritmo dele. Título, umas dez frases, uma página. Era para o meu blog ser assim. Quem me dera o estado atual de uma frase pudesse ser atribuído ao "estilo". Concisão. A merda é que é pura preguiça. Ou apenas falta de idéias.
18.1.02
16.1.02
CABELEIREIRO
Todo homem deveria fazer um intensivão com eles. Eles conseguem levantar o astral até de mulher em TPM.
Ainda não estou na TPM. Mas meu cabelo ganhou um volume...
XI
Achei que tivesse dormido bem. Nenhum pesadelo. Nenhuma vaca-pernilonga. Mesmo assim eu já acordei com aquela cólica estranha, sem vontade de comer e com vontade de ficar encolhida embaixo de mil cobertas. Não posso nem pensar em dar uma de formiga hoje. Já era para eu estar na redação e não consigo levantar da cama. Estômago vazio e cigarro aceso na boca.
15.1.02
REGRA
número um para entrevistas gravadas.
Nunca entreviste ao mesmo tempo duas adolescentes. Ou mais de duas. Ou duas mulheres.
Tirar a fita desse tipo de entrevista é insuportável. Principalmente quando elas resolvem falar ao mesmo tempo.
VALORES DE REFERÊNCIA
Tudo dentro dos valores estabelecidos. Só não posso ter nenhuma decepção. O desequilíbrio também está aí.
SURTO
Ontem ouvi uma história hilária e trágica de um surto psicótico. De verdade. Primeiro, fiquei impressionada. Depois, com medo. Depois, comecei a rir. De graça e de nervoso. Depois de saber de todos os detalhes, me dei conta de que, nem mesmo drogada, eu chegaria a esse nível. Bom sinal.
(IM)PERFEIÇÃO
Quando eu penso no Ed Motta eu chego à conclusão de que ele não poderia ser bonito de jeito nenhum.
14.1.02
O MUNDO É BIZARRO
Conheço uma pessoa que quase namorou o Eriberto Leão. E outra que recebeu uma cantada do Batoré na Praça é Nossa.
MANIA
de bolsa. Eu reparei que, sempre que vou comprar alguma coisa, eu fico tarada por uma bolsa. Eu tenho me controlado para não comprar mais do que uma bolsa nova por mês. Depois a cada dois meses, a cada três... Desviar o foco seria uma boa. Ou fazer uma promessa. No sábado, eu queria muito achar uma meia de Mathilda. Não sei porque eu lembrei da meia da Mathilda. Quase pedi para ver o filme de novo. Só por causa das meias. A promessa poderia ser deixar de comprar bolsas até encontrar as meias. O problema é se eu não encontrá-las nunca.
PESADELOS
São muito ameaçadores. Por mais idiota que pareçam. Fiquei com medo de dragão outro dia. É ridículo, pois nunca vou cruzar com um dragão na rua. Nunca vou ser devorada por um dragão. Acabei de lembrar que sonhei com a Barbie Leucemia no fim de semana. Ela é um pesadelo ambulante. Tudo bem que foi ela que apareceu aqui na redação trazendo o post it. E depois, deu no que deu. Eu não entendo essas pessoas. Eu não entendo porque no sonho ela era defendida. Coitada o caralho!
Estatística:
* Em média um em cada dez pesadelos tem assalto como tema.
(o de hoje incluía arma e o roubo de "obras de arte" e 4 mil reais)
* A voz não sai para pedir socorro ou denunciar alguém em um a cada cinco.
* Eu acordo chorando em um a cada seis.
* Fico com medo de dormir de novo em um a cada oito.
13.1.02
11.1.02
BÉ BÉ BÉ
[na maior frieza do mundo]
- Desculpe-me. Preciso interromper a entrevista porque está soando o alarme de incêndio. Teremos que desocupar o prédio. Retorno quando puder.
Eu ainda voltei à redação para pegar o casaco.
CRONÔMETRO
Hoje eu tinha uma entrevista depois da outra. Não consegui fazer metade. O dia foi estranho: começou com um telefonema triste e terminou com fogo no prédio. Quinze andares pela escada de incêndio, muita gente no celular, bar, social, bar, cigarro e bar.
10.1.02
GINCANA
Hoje o dia devia ter muitas horas. Para eu ter tempo de aturar entrevistados chatos, meninas descontroladas, pautar free-las em todo o território nacional e estar junto de uma pessoa que está há menos de 20 minutos daqui. Teve um dia que eu marquei estúdio, fiz produção, dirigi foto e ainda contratei uma pessoa no fim do dia. Deu tudo certo. Espero que hoje também dê.
MÁSCARA
Eu cruzo com tanta gente quase conhecida e quase desconhecida ao longo do dia que dá uma preguiça enorme de dar "oi". Acho que vou adotar aquela expressão fixa séria que esboça um sorriso para andar pelos corredores. Assim não deixo quem me cumprimenta sem sorriso e não sorrio à toa para aqueles que eu acho que me viram e não me viram.
9.1.02
ORIGAMI
Eu nem dormi e já estou sonhando com a blusa. Preto e laranja. Com dobraduras. Encomendei uma com um centímetro a menos nas laterais. Tinha um top com uma cintura que imitava um obi. Pena que também era grande (tudo grande) e transparente.
8.1.02
CARTAZ
Pensei muito nesse filme na semana passada. Hoje a outra fanática Biazinha mandou o cartaz para mim.
7.1.02
DICIONÁRIO
de sonhos e pesadelos
DRAGÃO: relação com pessoas de alta categoria. Fortuna.
VER ALGUÉM SENDO FUZILADO: escândalo.
e paro por aqui.
4.1.02
Às vezes, eu me engano. Minto e finjo para mim mesma. Tem coisas que eu não queria sentir. Tem outras que deveriam dar certo. Eu tinha que ser muito mais forte do que sou. Eu ainda me saboto. Eu ainda sonho. Ainda choro.
3.1.02
PONTUAÇÃO
Cigarro antes do banho, depois do café da manhã - ainda com o café, depois do almoço, saindo de casa, chegando em casa, antes de dormir, com coca-cola. Quando chego no bar, quando entro no carro. Antes de pegar o avião, o ônibus, o táxi. Quando me divirto e quando fico triste.
HOME
Relembrei o cheiro do cinema, o pipoqueiro (The King of Popcorn) e o bolo de rolo. Andei pela livraria atrás de livros. Mais do que isso. Folheava as palavras querendo me apaixonar. Procurava possíveis amantes nas páginas dos livros. Comprei Antônio Prata e Fernando Bonassi. Li o Prata e não me apaixonei. O Bonassi não conta. É quase paixão platônica. Dei de cara com o casal de Acossado em uma capa de livro. Fiquei tentando entender porque é que esse - e qualquer outro - tipinho atrai tanto.
PONTE
Mais que estremecida. Era estraçalhada. Com a cara mais blasé do mundo e seduzindo com peitos empinados garotos menores de 18 anos.

